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A revolução vem de dentro


“A revolução começa dentro de cada ser humano”. Acho que no fundo, sempre soube disso. Mas precisei, como todo mundo, passar alguns anos de aprendizado pra finalmente relembrar dessa informação que já nasceu comigo.


“Revolução” sempre foi uma palavra que me despertou atenção, e me atrai desde criança. Tenho ela tatuada no corpo. Usei “Revolution”, música dos Beatles, como tema da minha formatura em Direito. Fiz minha monografia tentando me aproximar o mais que podia dos direitos humanos e da luta por justiça, mesmo que naquela época eu não entendesse muito bem a importância dessa e de outras causas, e mesmo estando numa universidade elitista, branca e totalmente desconexa da luta por igualdade social.


Eu não tinha muita “consciência” naquele tempo, não enxergava que eu tinha um mundo há ser explorado nas minhas mãos, e que ter feito Direito como formação, poderia ter me alcançado a voos maiores na revolução pessoal. - Importante frisar, que tive muitas influências externas (leia-se racismo aqui incluído) me desencorajando a seguir nos direitos humanos, na sociologia e na carreira diplomática… Aquelas frases clássicas de “Você vai morrer de fome!” até as mais absurdas como “Vai querer ser diplomata em Serra Leoa?” com cunho extremamente pejorativo.


Hoje penso como é importante aprender desde cedo sobre autoconfiança e propósito de vida. O slogan era apenas “Se forme em Direito, faça concurso, e vá ganhar muito dinheiro!”.


Me lembro de na adolescência, ser “apaixonada” pela Revolução Cubana. Era algo que vinha de dentro, eu não sabia explicar. Tive alguns professores que influenciaram nisso, mas esse amor por Cuba já estava batendo aqui no peito. Os livros da escola, porém, eram pobres em informações e dados históricos das revoluções sociais da América Latina. Eram aquelas apostilas feitas de cópias não coloridas, onde Machado de Assis era branco. “Saiba apenas o básico para passar numa Federal”, era o slogan. Nossa… Como éramos manipulados… (E ainda somos).


Hoje, a América Latina também está tatuada no meu corpo. Invertida, “meu Norte é o Sul”. E aquela coceirinha ainda me chama pra tatuar o mapa da África em outro canto. É a Revolução aqui dentro, querendo ser demonstrada do lado de fora, num corpo físico que é impermanente, e que não vai durar pra sempre.


Então, o que vai durar? O verdadeiro eu. O “eu” que vejo quando fecho os olhos e consigo (ou tento) diferenciar o ego.


A revolução, seja ela social, política ou ambiental, vem do resultado da revolução da consciência. Cada um de nós, mudando por dentro, gerando um (in)consciente coletivo revolucionário. Essa é a tal “Nova Terra” que tanto se fala. Nós somos os responsáveis por construí-la. Nós, nossos antepassados e ancestrais, e também os próximos que virão.


A revolução precisa ser interna, cada um de nós deve mudar. Os sistemas políticos, econômicos ou sociais não vão fazer a grande mudança. Ela ocorre em cada indivíduo. Temos que ser esses átomos de transformação na sociedade. É preciso despertar.” Monja Coen.


Estamos aqui constantemente criando e vivendo a nossa própria criação. Estejamos conscientes disso ou não. O fato é que a vida não para, está em constante transformação, e seguimos na constante evolução e adaptação. Atos, pensamentos, emoções e sentimentos sendo movimentados o tempo todo a nível global. Paro e reflito em como isso é poderoso…


Trazendo para um exemplo mais prático, se um governante resolve por si só, que quer mudar o salário mínimo de todo um país, isso não impactará a sua vida de alguma forma? Se o dono do imóvel onde você mora, resolve vender a casa, simplesmente porque ele assim o quer, como fica sua vida? Se o mundo todo de repente tiver que se trancar dentro de casa, isso não impacta a sua vida?


Estamos todos conectados por fios invisíveis. O que um faz do outro lado da Terra, gera mudança aqui. Mesmo que não estejamos sentindo na carne. É aí que a revolução se torna tão importante.


Se todos os humanos pudessem começar, mesmo que devagarinho, a mudar o seu interior, a entender quem realmente são, e fazer pequenas mudanças visando o bem-estar do planeta… Seria uma bela revolução da consciência.


No entanto, tudo é um processo. Nós, como humanidade, criamos a desigualdade social e econômica ao longo de séculos de exploração, ganância, escravidão e da falta de percepção da unidade que somos ao fazermos parte de um único e gigantesco ecossistema.


As revoluções que conhecemos, que foram e são feitas por direitos civis, por igualdade e por respeito, são extremamente necessárias. Elas despertaram milhares de pessoas para o fato de que algo não estava indo para o rumo certo. Elas representam resistência, mas não uma “resistência a mudança”. Resistência a opressão, ao racismo, a intolerância, ao desrespeito da vida.


No mundo das terapias alternativas, me ensinaram sobre o poder da palavra, e de que não devemos usar palavras como “luta”, pois significaria algo sempre muito difícil, e traria como consequência uma “eterna luta” na vida, acompanhada de sofrimento e dor (as crenças limitantes). Mas vejo que, quando uma “luta” é de um povo inteiro, ela representa e resulta em união e força.


Nós estamos nos ombros dos nossos antepassados, bebendo do cálice da vitória e das conquistas que tiveram em suas vidas. Estamos nos ombros dos professores que tivemos, e daqueles que trouxeram o conhecimento que absorvemos hoje. Devemos a eles nossa gratidão. E se não fosse por suas lutas, será que estaríamos aqui?


A (r)evolução vem de dentro.


Há caminhos para serem escolhidos. E só você pode dizer qual deles se adapta melhor a sua vida.


Acredito que o amor é revolucionário. Há caminhos de “luta” pela revolução armada (seja qual for a sua “arma”). Mas há também caminhos de conquistas pela revolução pacífica e amorosa.


A consciência amorosa é subversiva. Contamina as pessoas à distância. Uma pessoa que se torna um polo de amor e alegria, revoluciona o mundo todo, não porque ela negou a sombra, mas porque não se identificou com ela.” Gisela Vallin.




O amor é revolução. Ele surpreende na medida em que não está sendo esperada de você uma reação amorosa.


Lembre-se que estamos aqui para aprender. Errar é parte do processo.


Sua revolução pode começar da sua própria escuridão. Feche os olhos, e veja que infinito há aí dentro.


Sem perder a amorosidade. Jamais.


Niterói, 18 de Junho de 2020


Texto: Ana Carolina Reis - @evoluirjuntos

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Ame-se:


Nós começamos com um dos mais profundos sutras do Gautama o Buda: ‘Ame-se


Exatamente o oposto tem sido ensinado a você por todas as tradições do mundo, todas as civilizações, todas as culturas, todas as igrejas. Elas dizem: “Ame os outros, não ame você mesmo.” E há uma certa estratégia esperta atrás desse ensinamento.


Amor é o alimento da alma. Exatamente como a comida é para o corpo, assim é o amor para a alma. Sem comida o corpo é fraco, sem amor a alma é fraca. E nenhum governo, nenhuma igreja, nenhum interesse assumido, jamais quis que as pessoas tenham almas fortes, porque uma pessoa com energia espiritual está destinada a ser rebelde.


O amor faz de você um rebelde, revolucionário. O amor lhe dá asas para voar alto. O amor lhe dá percepção para coisas, tanto que ninguém pode enganá-lo, explorá-lo, oprimi-lo.


Osho, The Dhammapada: The Way of the Buddha, Vol. 5, Capítulo 5.










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