Uma reflexão sobre "La Belle Verte", o filme

By evoluirjuntos - abril 12, 2018




Sabe aquele filme que dá vontade de assistir de novo, e novamente e mais uma vez? Então, eu ainda não sabia como era essa sensação até assistir “La Belle Verte”.
Apesar de ser um filme de 1996, e de estar com baixa qualidade de imagem, eu já assisti duas vezes em uma semana. E acredito ser daquele tipo de filme que, quando for assistir novamente daqui uns meses ou anos, aprenderei outras coisas. Afinal, nossa consciência expande, muda e evolui. E com isso nossa visão das coisas também vai mudando.

O filme foi escrito e dirigido por Coline Serreau, que também faz o papel de Mila, a personagem protagonista no longa. Trata-se de um filme francês, com um olhar e uma consciência que não se vê em qualquer trabalho.

A história

Em outro planeta, bem menor do que a Terra, seus habitantes evoluíram a ponto de viverem em plena harmonia com a natureza. Durante a “Reunião do Planeta”, eles discutem questões triviais, organizam-se, trocam serviços, mantimentos, etc. É também nessas reuniões que decidem quem irá para outros planetas, a fim de trocar experiências, aprender e ensinar.

Acontece que quando vem a pergunta “quem quer ir a Terra?” ninguém se pronuncia. Há mais de 200 anos que eles não enviavam ninguém para nosso planeta. Da última vez em que estiveram aqui, era a época de Napoleão, e quando eles partiram estávamos vivendo a Revolução Industrial.


Mas porque ninguém quer mais ir para a Terra? A Terra demora a evoluir, seus habitantes não estão abertos a aprender ou sequer podem ensinar algo para os habitantes da “Belle Verte”. É aí que aparece Mila, a protagonista, e resolve se voluntariar para ir até a Terra e ajudar na evolução do nosso Planeta. Ela aterriza em Paris, na França, onde sua trajetória começa.

A partir daí a história se desenvolve com a reação de Mila ao chegar a Terra, as pessoas que ela encontra, etc. Ela chega a Terra com a capacidade de “desconectar” pessoas, algo como despertá-las para a realidade, sair do ego. Se comunica com sua família por telepatia, usando a água como meio condutor.

É fascinante ver as pequenas e grandes críticas que esse filme faz, com muita sutileza e humor. Questões como porque ainda se usa o dinheiro? Porque diversas pessoas estão sofrendo de males do estômago? Porque a água é toda engarrafada ou encanada? Porque ainda andam em carros? Onde está a terra? É tudo coberto com concreto. Não tiveram bastante tempo para evoluir desde a Revolução Industrial? Etc…

Não vou te contar o filme todo. Se sentir que tem afinidade com a história, assista e reflita você mesmo. Não irá se arrepender.


Reflita

Porque é que estamos maltratando tanto nosso hábitat? A única espécie que se torna inimiga dela mesma, que destrói sua casa, que se acha superior as outras espécies.


Não sou adepta da frase “estamos acabando com nossos recursos naturais”. Acredito que o Universo é abundante e pleno. Mas é claro que estamos colaborando para a piora de todos os nossos recursos. Exemplo disso é o de que já existem regiões da Terra fazendo racionamento de água! Triste realidade. É como se perdessem o valor.

Já parou para pensar porque precisamos tratar nossa água? Isso não deveria ser um recurso usado naturalmente, sem interferência humana desde o início? Afinal, ela é essencial e sempre esteve aqui, para que todos desfrutassem.

Além das questões ambientais, o filme nos leva a pensar em todo o sistema no qual vivemos de maneira geral. Os habitantes desse planeta vivem mais, não possuem tecnologia nenhuma (mas já tiveram e já passaram para o próximo estágio depois da era tecnológica).

Uma das grandes sacadas do filme, é o encontro de habitantes aqui na Terra, que teriam as mesmas capacidades de telepatia e de harmonia com natureza que os nossos amigos visitantes. Não vou te contar quem são eles, mas foi uma grata surpresa que me fez refletir ainda mais.

Quem é “mais evoluído”: nós aqui com nossa tecnologia, governo, desigualdade social, lei do mais forte sobrevive ou aquele que abdica de todas essas modernidades e vive de forma muito mais simples? Não digo que existam uns melhores do que outros. Mas essa questão da evolução é uma reflexão que o filme trás.

Claro que isso não é um consenso e não existe apenas uma verdade. Se estamos aqui, vivendo nessa era, desfrutando de tecnologias e arcando com suas mazelas, é porque era aqui que deveríamos estar nessa etapa da evolução humana. E está tudo bem!

A ideia do filme, que em português é chamado de “Turista Espacial”, é mesmo refletir sobre as dificuldades, sobre a falta de verdade e a cegueira que nos impede de ver que todos somos um. Somos uma espécie, deveríamos viver em harmonia e preservar nossa própria casa, a Terra.


Não é jogar fora toda tecnologia, toda conquista da humanidade. É apenas buscar o equilíbrio e viver essa época com mais cuidado e consciência.

Porque quem deseja viver em uma fazenda ou um sítio, que quer plantar sua própria comida, que produz sua própria energia, pratica permacultura, abdica de televisão, carros e grandes cidades, porque essas pessoas são “anormais” aos olhos da sociedade? Será que já não é hora de rever conceitos? Ou, pelo menos, respeitar a escolha alheia. Ao mesmo tempo, há que se perceber que quem escolhe viver assim também não é melhor do que ninguém. Não há que se julgar quem vive de uma maneira ou de outra.

Lá em 1996, Coline Serreau e diversas outras pessoas já haviam despertado para essa realidade. E antes e depois delas, muitas outras tentaram nos alertar. Sábios, estudiosos, cientistas, filósofos, religiosos, cidadãos desconhecidos ou famosos.

O filme vem para nos dar um alerta, sobre o que estamos fazendo com nossas vidas, nossa falta de tempo para a família e pessoas queridas, nossa arrogância, nosso estresse, nossa falta de cuidado consigo mesmo e com o planeta.


A realidade é que cada um tem o seu tempo e a sua maneira de “desconectar” ou despertar. Não há dúvida que viver em contato e harmonia com a natureza, comer alimentos vivos e saudáveis, respirar ar puro, faz bem ao ser humano. Mas o respeito pela opção de vida do outro, pelo que lhe faz bem nesse momento, também é necessário para a harmonia e evolução do ser humano.

Nossos exemplos podem ajudar a despertar as pessoas, resgatá-las dos hábitos que não fazem bem a sua alma e a sua saúde. Não adiantar impôr o nosso modo de ver as coisas, dizer que taxativamente o tipo de comida “x” faz mal, o hábito “y” é pior ainda, e que você não deveria fazer tal coisa porque é errado. Seria errado do ponto de vista de quem? Quem está tentando impôr a própria noção de certo e errado?
Para mudar o mundo, mude o seu jeito de olhar para ele. Não tente mudar ninguém.
Assim como os personagens do filme, podemos “desconectar” as pessoas da “matrix”, mas de outra forma que é pelo exemplo. Seja você o exemplo, e mostre que hábitos sustentáveis, alimentação saudável, práticas espirituais ou o que quer que seja, funciona e faz bem. Quem sabe assim alguém possa se inspirar em você, e começar a ver o mundo de modo diferente?

Tudo no tempo de cada um. Se você quer morar no interior, plantar, praticar Yoga, etc, está tudo bem. Ou se você quer viver numa cidade, ter o seu carro, comprar sua comida e viver assim, está tudo bem também! Ninguém é melhor do que você. Se estamos aqui, vivendo essa época, nesse momento, é porque é onde deveríamos estar. Afinal, na ficção, quantos mil anos depois da Revolução Industrial os habitantes de “la Belle Verte” chegaram ao perfeito equilíbrio?

Assista ao filme e tire seus próprios aprendizados. Esse relato foi apenas o meu ponto de vista.

Gratidão!

Ana Carolina Reis

(Texto autoral originalmente publicado no site Jardim do Mundo - com modificações)




O futuro






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